PICA no Autismo: O Que É, Quais os Riscos e Como Identificar os Sinais
- Suely Oliveira
- 5 de jun.
- 2 min de leitura
A PICA no autismo é um comportamento que merece atenção de familiares, cuidadores e profissionais de saúde.

Caracterizada pela ingestão persistente de substâncias que não possuem valor nutricional, essa condição pode representar riscos importantes para a saúde e impactar diretamente a qualidade de vida da pessoa autista.
Embora nem todas as pessoas com autismo apresentem esse comportamento, a PICA pode ocorrer com maior frequência em indivíduos com dificuldades de comunicação, alterações sensoriais ou deficiência intelectual associada.
Por isso, reconhecer os sinais precocemente é fundamental para garantir segurança e cuidado adequado.
O que é PICA?
A PICA é um transtorno alimentar caracterizado pela ingestão repetida de itens não alimentares por um período prolongado.
Entre os materiais mais frequentemente ingeridos estão:
Terra;
Areia;
Papel;
Giz;
Tecido;
Cabelo;
Plástico;
Tinta;
Sabão;
Pequenos objetos.
Para ser considerada um transtorno, essa prática deve ocorrer além da fase normal de exploração infantil e não pode estar relacionada a hábitos culturais específicos.
Por que a PICA no autismo acontece?
As causas da PICA no autismo ainda não são totalmente compreendidas, mas especialistas apontam alguns fatores que podem contribuir para o comportamento.
Alterações sensoriais
A textura, o cheiro ou a sensação provocada por determinados objetos podem despertar interesse e levar à ingestão desses materiais.
Dificuldades de comunicação
Quando a pessoa tem dificuldades para expressar desconfortos, necessidades ou emoções, determinados comportamentos podem surgir como forma de autorregulação ou expressão.
Deficiências nutricionais
Em alguns casos, a PICA pode estar associada a carências nutricionais, como deficiência de ferro ou zinco, embora essa não seja a única explicação possível.
Busca por previsibilidade ou repetição
Comportamentos repetitivos fazem parte das características do espectro autista e, em determinadas situações, podem contribuir para a manutenção desse hábito.
Quais são os riscos para a saúde?
A ingestão de substâncias não alimentares pode trazer consequências graves, dependendo do material consumido.
Entre os principais riscos estão:
Intoxicações;
Infecções;
Obstruções intestinais;
Perfurações no sistema digestivo;
Engasgos;
Lesões bucais;
Deficiências nutricionais agravadas.
Por esse motivo, qualquer suspeita de PICA deve ser comunicada aos profissionais responsáveis pelo acompanhamento da pessoa autista.
Como identificar os sinais?
Os sinais podem variar de acordo com a idade e o perfil da pessoa. Alguns comportamentos que merecem atenção incluem:
Colocar frequentemente objetos na boca;
Tentar ingerir terra, papel ou outros materiais;
Esconder objetos para consumir posteriormente;
Problemas digestivos recorrentes sem causa aparente;
Interesse persistente por itens não alimentares.
A observação cuidadosa da rotina é essencial para detectar o problema precocemente.
Como é feito o tratamento?
O tratamento da PICA no autismo depende da avaliação individual de cada caso.
Geralmente, envolve acompanhamento médico, psicológico, nutricional e terapêutico.
Além de investigar possíveis causas físicas, os profissionais trabalham estratégias para reduzir os riscos e ampliar a segurança.
Também buscam desenvolver formas mais adequadas de atender às necessidades sensoriais e comportamentais da pessoa.
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